Um guia prático para assumir o controle das suas contas, evitar dívidas e fazer o seu dinheiro render até dezembro
Se você começou o ano prometendo que “dessa vez vai se organizar financeiramente”, parabéns! Reconhecer que você precisa controlar suas finanças é o primeiro passo. Mas, para onde você está indo? Aonde você quer chegar? Quais são seus planos no curto, médio e longo prazo? Como esse trajeto será feito? Sem um norte, fica bem difícil manter o foco no objetivo.
Por isso, neste artigo, o “Quem Planeja Realiza” vai te mostrar como organizar o seu ano com um plano simples, prático e possível de ser cumprido ao longo dos 12 meses, em quatro passos.
Por que pensar no ano inteiro e não só no mês?
A maioria das pessoas organiza ou se preocupa com as contas apenas no mês corrente. O problema é que algumas das despesas são comuns, periódicas, mas não aparecem mensalmente. E, quando elas resolvem chegar, comprometem significativamente o orçamento. Dentre elas:
Quando você olha apenas o mês em que elas aparecem, essas despesas parecem “imprevistos”. Mas, na verdade, elas já estavam no seu calendário e, na maioria das vezes, você não se programou para elas. Planejar o ano inteiro para obrigações como essas ajuda você a:
Passo 1: Faça um raio-X da sua vida financeira
Antes de planejar, é preciso entender sua realidade. Vale destacar ainda que a sua renda é o seu limite de gastos. Não pode ultrapassar essa marca, sob pena de comprometer seu orçamento e os gastos virarem uma bola de neve.
1️⃣ Sua renda líquida mensal
É o valor que realmente entra na sua conta depois de todos os descontos obrigatórios. Ou seja: é o dinheiro que você tem, de fato, disponível para usar no mês.
2️⃣ Suas despesas fixas
São aquelas contas que você precisa pagar todos os meses e que têm valor igual ou muito parecido. Elas fazem parte da sua estrutura básica de vida e acontecem independentemente de você consumir mais ou menos.
3️⃣ Suas despesas variáveis
Despesas variáveis são aquelas que mudam de valor ao longo do mês. Elas não têm um valor fixo e costumam depender do seu consumo, estilo de vida ou escolhas naquele período.
Esse diagnóstico é essencial para saber quanto você ganha, quanto sobra e o quanto precisa ser ajustado ou cortado. Você pode fazer isso em ferramentas de organização de despesas, como uma planilha. A Funpresp disponibiliza um mecanismo semelhante.
Lembre-se: organizar o orçamento não significa viver contando moedas ou deixar de aproveitar a vida. Significa ter clareza sobre para onde o seu dinheiro está indo e garantir que ele também esteja trabalhando a seu favor, hoje e no futuro.
Passo 2: Mapeie as despesas anuais
Agora pense no ano inteiro. Faça uma lista com tudo o que não é mensal, mas já está previsto de alguma forma no seu calendário de despesas. Depois, divida o valor por 12 meses.
Exemplo:
IPVA de R$ 2.400 / 12 = R$ 200 por mês
Natal com gastos médios: R$ 1.200 / 12 = R$ 100 por mês
Assim, quando a conta chegar, o dinheiro já estará reservado. Uma dica é guardar o dinheiro em uma conta separada ou aplicar em um ativo financeiro que possua liquidez diária, como CDBs e Tesouro Selic. Assim, você guarda dinheiro de forma segura e resgata com boa rentabilidade.
Passo 3: Estabeleça metas financeiras
Não dá para realizar um planejamento sem uma meta clara. Senão… vira só controle de contas. Pergunte-se para que o dinheiro que você guardar vai servir:
Defina metas de curto, médio e longo prazo. Para servidores públicos, é importante lembrar: quanto antes você organizar suas contribuições e investimentos, maior tende a ser o impacto positivo lá na frente.
Passo 4: Organize mês a mês
Agora sim: distribua o ano no calendário. Uma sugestão simples:
A cada mês:
E se o orçamento estiver apertado?
Se, ao fazer as contas, você perceber que não está sobrando nada (ou está faltando), siga três passos: identifique despesas que podem ser reduzidas, avalie renegociar dívidas com o credor, evite soluções que tragam juros altos e faça pequenos ajustes consistentes ao longo do ano.
Onde entra a previdência nesse planejamento?
O planejamento financeiro anual não é só sobre pagar contas. É também sobre construir segurança. Incluir sua previdência complementar no orçamento é uma decisão estratégica. Ela ajuda você a manter o padrão de vida no futuro e ainda pode trazer vantagens fiscais, dependendo do seu regime tributário.
Quando você coloca essa contribuição como prioridade, e não como sobra, o impacto no longo prazo pode ser significativo.
