Papai Financeiro fala como sentimentos como o medo, a culpa e a insegurança podem distorcer decisões financeiras e comprometer o equilíbrio da vida adulta

Quando se trata de dinheiro, nunca é só sobre números. Por trás de cada decisão, seja do cartão de crédito estourado à compra que você fez sem pensar, existe um conjunto de emoções que moldam comportamentos econômicos muito mais do que a maioria das pessoas imagina. É o que afirma Thiago Godoy, o educador financeiro conhecido como Papai Financeiro, referência nas redes sociais quando o assunto é saúde emocional e hábitos financeiros.
Godoy palestrou no Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem Planeja Realiza”. Com a palestra “Ansiedade Financeira: como suas emoções afetam suas finanças e vice-versa”, trouxe reflexões importantes sobre o impacto das emoções na tomada de decisões financeiras, especialmente em momentos de instabilidade.
Para ele, entender a relação psicológica com o dinheiro é tão importante quanto saber investir, renegociar dívidas ou organizar o orçamento. A chamada “ansiedade financeira” é um fenômeno crescente. Ela se manifesta quando o medo de não conseguir pagar contas, a culpa por gastos impulsivos ou a insegurança sobre o futuro financeiro começam a interferir no dia a dia. Esse estado emocional, explica ele, afeta diretamente a capacidade de tomar decisões conscientes.
Em anos de carreira, Godoy comparou famílias com perfis semelhantes: casais entre 30 e 44 anos, dois filhos pré-adolescentes e renda que varia de 5 a 40 salários mínimos. O resultado é que o padrão de gastos se mantém surpreendentemente parecido, independentemente do nível de renda. Mesmo famílias que ganham R$ 60 mil podem enfrentar dificuldades financeiras e endividamento, assim como aquelas que ganham 7,5 mil.
Segundo ele, aumentar a renda não garante automaticamente um comportamento financeiro mais saudável, pois o estilo de vida tende a acompanhar o aumento dos ganhos. Seu estudo de mestrado reforça que, ao analisar apenas renda e despesas, já é possível prever onde uma família gasta seu dinheiro, mostrando que o problema não é quanto se ganha, mas como se lida com o próprio comportamento financeiro.
“Se você não sabe onde você está, o seu ponto de partida, qual é a sua situação, não adianta você correr atrás de nada. Como melhorar minha vida financeira, se eu não sei onde eu estou? Se você, hoje, não sabe qual é o seu problema, você está no escuro. Por isso, conhecer o problema é a primeira coisa para a gente começar a entender esse universo. Não é só ter uma planilha ou assistir videoaulas que vai resolver o problema financeiro. Existe um racional por trás”, contou.

A ansiedade financeira também afeta decisões de longo prazo: quem está emocionalmente sobrecarregado tem mais dificuldade de poupar,de planejar, de investir ou de organizar metas. Sem clareza, escolhas financeiras se tornam reativas, não estratégicas. Por isso, uma das recomendações do Papai Financeiro é começar pelo autoconhecimento: identificar sentimentos que surgem ao lidar com dinheiro, mapear gatilhos, reconhecer hábitos automáticos e substituir impulsos por ações conscientes.
“A vida é um paradoxo: vivemos um intervalo finito de duração indefinida. Sabemos que o tempo acaba, mas não sabemos quando. Alguns vivem como se só existisse o hoje; outros, como se sempre houvesse um amanhã garantido. Encontrar o equilíbrio entre esses dois extremos é difícil e faz parte do desafio de viver com consciência”, refletiu Godoy.
A boa notícia, segundo o especialista, é que a ansiedade financeira tem tratamento e não exige fórmulas complexas. Pequenas práticas, como rotinas de orçamento simples, diálogos mais abertos sobre dinheiro e criação de limites emocionais e financeiros, podem transformar o modo como se lida com gastos e dívidas. O mais difícil, porém, costuma ser o primeiro passo: admitir que dinheiro também é um tema emocional.
No fim, a mensagem do Papai Financeiro é clara: finanças e emoções caminham juntas. Sentimentos desorganizados geram escolhas financeiras ruins e escolhas financeiras ruins alimentam sentimentos desorganizados. Romper esse ciclo exige mais do que planilhas: exige consciência, acolhimento e novos hábitos. E, sobretudo, reconhecer que ninguém controla o dinheiro plenamente enquanto não aprende a controlar o que sente diante dele.
Sobre o Seminário
O Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem planeja realiza” é resultado de uma parceria entre a Funpresp-Exe, Funpresp-Jud e DF-PreviCom .
A seguir, você assiste à transmissão no momento em que o painel se inicia.
