CDI alto engana: especialista mostra o que realmente importa na gestão de recursos previdenciários

Focar no longo prazo, em que a lógica dos ativos de curto prazo perde sua relevância, torna-se essencial para uma estratégia de investimentos bem sucedida de um plano de Previdência Complementar. A conclusão é de Gustavo Ottoni, gestor de FoF no BNP Paribas Asset. Para ele, ativos de curto prazo, como o CDI, perdem relevância, à medida que o prazo aumenta. Ou seja, em janelas curtas, pode até fazer os olhos do investidor brilharem, mas em longas, perde força.
O assunto foi um dos tópicos do Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público, promovido pela Funpresp-Exe, Funpresp-Jud e DF-PreviCom. Mediado pela coordenadora de Planejamento Financeiro da Funpresp-Exe, Rafaela Rodrigues, o tema da discussão foi “Cenário econômico e investimentos: como a entidade pode alocar os recursos previdenciários”. Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE, também esteve na mesa redonda.
Como ponto principal, o debate girou em torno da lógica do curtíssimo prazo, que continua dominando o comportamento do investidor brasileiro, mesmo quando o assunto é previdência, um produto que só faz sentido quando analisado em um horizonte composto por dezenas de anos. Em sua explanação, Gustavo reconheceu a dificuldade cultural do brasileiro em pensar na previdência como um investimento de longo prazo.
Ele destacou que isso se deve ao ambiente atual, com CDI e Selic muito elevados, que estimula comparações imediatistas. Para exemplificar, apontou o comportamento do investidor que acompanha o valor da cota do seu plano diariamente e cobra resultados mensais, o que é incompatível com a lógica previdenciária. Para ele, é possível abrir mão da liquidez diária para buscar retornos maiores no longo prazo, mesmo suportando as oscilações naturais do percurso.
“A gente criou o hábito de olhar o aplicativo do banco todos os dias para ver o rendimento dos nossos investimentos e acabou levando essa mesma lógica para a previdência. Só que previdência não funciona no curto prazo. É muito pouco tempo para medir um investimento que você só vai usar lá na frente e de forma gradual. Quando a gente volta para o básico de finanças, é preciso olhar três coisas: retorno esperado, volatilidade e liquidez. Então, quando a gente pensa em previdência, essa parte de liquidez deveria ser o aspecto menos relevante”, contou Gustavo.
Sobre o Seminário
O Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem planeja realiza” é resultado de uma parceria entre a Funpresp-Exe, Funpresp-Jud e DF-PreviCom que, neste ano, teve apoio do Conselho da Justiça Federal. O objetivo do evento foi promover debates e oferecer informações sobre educação financeira e previdenciária, proporcionando aos participantes ferramentas para construir um futuro financeiro mais seguro.
Os painéis foram transmitidos pelo canal da Funpresp-Exe, da Funpresp-Jud e da DF-PreviCom no YouTube. A seguir, você assiste à transmissão no momento em que o painel se inicia.
